http://i8.photobucket.com/albums/a26/monicaleal/sap.jpg anascente

Domingo, Dezembro 10, 2006

Buda

Sábado, Dezembro 09, 2006

Campo de Flores

Domingo, Novembro 12, 2006

Rosas Vermelhas

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Palheiro

Domingo, Outubro 29, 2006

Gato

Girassois

Sábado, Outubro 07, 2006

Casas da Vila

Sábado, Setembro 30, 2006

Rolos de Feno

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

O meu mundo...

O meu mundo tem livros, quadros, flores e um grande carvalho no jardim.
Um Chorão que de humilde se verga sobre a terra mãe e que tranquilo escuta o aproximar do Outono e seus perfumes.
Cantam as suas folhas a beleza ao mundo, soprando em tons de ocre, amarelo e verde o vento que anuncia frescas auroras.
Espalho as tintas pela tela, procurando encontrar a luz, a verdade desse silencioso e puro ser, tentando uma vez mais dar forma aos muitos lugares habitados pela alma.

Sábado, Agosto 12, 2006

Carrapateira










Lugar do Passo












Sagres






Quarta-feira, Maio 31, 2006

Ausência

Andava de um lado para o outro pelos lugares vazios da mente.
Não havia nada importante, nada de especial, preocupante, nem excitante.
Talvez fosse isso,
o tempo, os astros, as hormonas.
Como explicar quando parece que não há nada a dizer.

Era a ausência.
A ausência do seu respirar,
da sua existência silenciosa,
da sua tolerância
e assídua presença.

Compreendeu que esses castelos
que foi construindo ao longo da vida,
eram meros fantoches da sua imaginação.
Gerados e amados por força das circunstâncias,
pela necessidade de acreditar que alguém olha por nós,
mesmo quando os nossos pais, ou outros,
olham para o lado,Para cima, ou para dentro e na verdade não
nos olham.

Ainda que tudo imaginado
e construído por uma crença desejável,
quem poderá negar as virtudes de um
caminhar cego pela fé nos homens, na vida e nos sonhos?

Olhou de frente para o espelho,
e não soube dizer o que via,
apenas aquele olhar que já não conhecia.

Quarta-feira, Maio 24, 2006

E se hoje eu morresse aqui…

E se hoje eu morresse aqui… sentada, a olhar a vossa fotografia…
com amor
mas sem saudade
ou braço,
apenas uma enorme vontade de partir.

É indiferente,
não há vazio, nem cheio,
não há alegria ou consolo,
apenas esta tristeza.

Que importaria partir,
se nada há que pareça consolar
ou fazer sentido, mesmo no meio de tantos sentidos cruzados.
Que importa se não há alguém,
os amados, o sol ou a estrela que me prenda.

Ficam apenas os olhos fixos no escuro,
nada a dizer,
um silêncio no vazio.

Sexta-feira, Maio 19, 2006

Para aquecer no próximo inverno : )

Sexta-feira, Maio 05, 2006

No colo

Guardo a minha dor no colo,
trato bem dela, aconchego-a para que descanse.

Sinto falta de ti, de ti e de ti.
Sinto falta de nada, que não eu e no entanto choro a vossa ausência.

Volto as costas para não olhar o vazio.
Quero estar só, a embalar essa dor.
Aconchego-a com os meus braços e caminho ritmadamente para que adormeça tranquila,
peço para que as suas lágrimas encontrem o mar,
para que o meu colo se encha de mim.

Vou ficar aqui de olhos fechados, com a dor no colo,
essa dor que grita baixinho sem motivo,
que nos lança no desconhecido de nós mesmos e nos mostra uma misteriosa beleza.

Estou aqui a sós, comigo e a dor no colo,
para nos conhecer, embalar e... libertar.

Terça-feira, Abril 18, 2006

Passos

Carrego o peso do corpo no passo.
Ando devagar, arrasto a alma nas costas.
Quero pousar mas onde?
Sou impelida.
É efémero o fim.

Levo a musica comigo e balanço ao ritmo torpe de um homem corcunda e triste.
Faço uma careta contorcida.
Consegues ver?
Choro.
Estendo a mão, não porque queira agarrar algo.

Acabou um momento de pausa.
Rompe-se o passado, as memórias e fica o canto, “how fortunate the man with none”, é uma dança no silêncio da eternidade.

Abraço tudo aquilo que me faz fugir, … com muita força para que se esvaziem os meus braços.
Continuo assim o caminho, avançando na existência como pela primeira vez, vazia de passado olhando e encarando os inesperados corredores do destino.
O agora aqui, para sempre em tudo, levando-nos a todos os espaços do tempo.

Continuo no vazio do tempo a ouvir o canto, a sua voz que ensina, "how fortunate the man with none" e continuo a observar as estrelas, dentro e fora de mim.

Obrigada.

Domingo, Abril 09, 2006

O que ando a fazer...


Estou a fazer uma mantinha para o meu filhos em croché.
Vi o efeito no filme da Nanny Mac Phee, nas camas dos meninos e achei muito colorido.
Como gosto de trabalhos manuais meti mãos à obra, já fiz uns 34 quadrados, mas imagino que vou ter de fazer pelo menos uma centena ; )

Quinta-feira, Março 30, 2006

Silenciar a Mente

Tenho tentado.
Os pensamentos viajam depressa demais na nossa mente.
Oiço a musica, as conversas, a tensão nos ombros.
Talvez carregue os pensamentos em turbilhão.

Silencio!

Que adianta se teimam.

Cerro os olhos e estou num fim de tarde, com o sol meigo a massajar-me as costas.
As ondas a murmurar baixinho a sua chegada e eu a sentir o respirar do mundo debaixo de mim com o ouvido colado na areia.
Por instantes há uma pausa, … a mente silencia-se e escuta atenta o pulsar da vida.

Que delicia!

Terça-feira, Março 28, 2006

O Que Penso Hoje

"Dai-me Senhor serenidade para aceitar coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquilo que sou capaz e sabedoria para ver a diferença."
Reihold Niebuhr

Quinta-feira, Março 16, 2006

Praticar o Desapego
Nunca fui boa com segredos, pelo menos com os pequeninos.
Mas hoje tenho um segredo, que resolvi tomar para mim.

Quarta-feira, Março 15, 2006

O infinito numa Imagem

Definição:

Uma boa fotografia é aquela que, mesmo retratando um momento físico parado nos mostra também o seu momento infinito através das imagens que o próprio observador pode intuir dessa realidade.

Hoje ao caminhar pela ponte pedonal à beira Tejo deparei-me com um momento único, que gostava de reter e vos mostrar.
Parando encostada ao corrimão, olhei para aquilo que parecia a união do céu e da terra misturados na sua distinta natureza pela cor cedida do céu em reflexo ao rio.
Não havia horizonte que os distinguisse excepto pela ponte ao fundo do lado esquerdo a atravessar as margens de uma terra vedada pela neblina e uma bóia de iluminação que ondulava distraidamente ao sabor da maresia.
Uma breve tontura pelo silêncio do momento. Abri os olhos e continuei o caminho ao ritmo do rumor baixinho dos motores do teleférico.

Há ainda o homem do comboio que viaja sempre junto à janela, com os seus jeitos simples de pessoa do campo, contemplando com olhos de menino as fantasias perdidas pelos caminhos trilhados da vida, mas que ainda assim matem o brilho de quem não perdeu a inocência e tenta compreender a unidade desse movimento ritmado da existência.

Momentos belos que trazem segredos de um mundo para além do aparente.

Segunda-feira, Março 13, 2006

Emotiva?!

Hoje ocorreu-me que as pessoas devem achar-me realmente emotiva.
E finalmente compreendi porque algumas pessoas já me disseram que é bom saberem que eu sou assim, exactamente como sou.

Ontem a pensar nisso considerei que deve ser o mesmo tipo de sentimento que temos por exemplo com um cão, meigo e afectuoso, mesmo quando ele é completamente secundário na nossa vida, mesmo só quando olhamos para ele quando insistentemente se mete à nossa frente com vontade de brincar e de obter alguma atenção. Sim parece-me que é isso, olhamos e pensamos como aquela alma generosa nos ama e procura, mesmo que ela não faça em nada parte da nossa vida.
Sabe bem saber que há almas assim, mesmo que não seja o nosso caso.

Acho que por vezes a amizade pode ser apenas um acessório que usamos quando nos faz falta, quando se proporciona. Depois perdem-se os laços, cada um faz a sua vida.
Porque de repente encontrarmos aquela pessoa que fez parte da nossa vida, mas que já não estamos regularmente há algum tempo e ela fala abertamente sobre si, gesticula, ri, emociona-se e quer saber tudo sobre nós como se fosse ontem, deve ser de facto estranho.
Geralmente olha-se com desconfiança. Porque não houve uma introdução, os laços alteraram-se, debotaram, mas parece que alguém não percebeu isso.
Constrangedor?!

No entanto devo acrescentar que está errado subestimar. Que as relações não se devem forçar, mas também não devem ser esquecidas.
Respeitar sim os diferentes timings, as diferentes necessidades, mas não deixar de lado os relacionamentos, não deixar de acreditar que é possível existir amizade de facto, livre e desinteressada. Cada um dá na medida que pode e sente e não há nada de errado nisso.
No entanto nunca devemos de deixar de ser generosos com todos à nossa volta, dizendo o quando eles são preciosos, o quanto sentimos a sua falta, o quanto estimamos a sua personalidade ou alegria, principalmente quando antes regámos os seus corações de amizade, criando um vínculo que não se deve deixar morrer à sede de atenção.

Letras a Nú


Gosto particularmente do T



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Sábado, Março 11, 2006

A Pedra de Toque de um Livro

A pedra de toque de um livro (para um escritor) é o momento em que o livro oferece enfim um espaço onde, com toda a naturalidade, se pode dizer o que se quer dizer. Como esta manhã, em que pude dizer o que Rhoda disse. Isto vem provar que o livro tem uma vida própria: porque não esmagou o que eu queria dizer, antes me permitiu intrduzi-lo mansamente, sem uma tensão, sem uma alteração.

Virginia Woolf, in 'Diário'

Sexta-feira, Março 10, 2006

Quadros de Infância


Este era o quadro que acompanhava o meu adormecer quando ainda era menina.
As luzes da rua contornavam de mansinho as cortinas corridas desenhando sombras rebuscadas que acentuavam essa imagem enigmática no meu imaginário.
Percorria todas a ruas da pintura descalça de conceitos em busca de um significado real dessa mistura tão complexa que ainda não conseguia organizar.
Idealizei histórias e enredos em volta das suas personagens, dancei nos espaços livres e galguei os telhados do pensamento para atingir o seu fim e no entanto essa busca foi sempre apenas mais um degrau para uma nova imagem, uma nova dança.
O facto desta imagem ter figurado nas paredes do meu desenvolvimento ao lado de um quadro do “Nascimento de Vénus” teve como consequências amar a pintura por poder ser um meio de expressão de qualquer imagem idealizada ou representativa dos sonhos místicos do homem.


A propósito de uma história de amor....

Amor e paixão são como um rio que livremente encontram a sua plena significação nos caminhos naturalmente sulcados em nós, selando assim a nossa verdadeira essência.

Manhãs Frias




Hoje no meio da multidão, vinha a pensar na correria da vida. No desperdício, na quantidade de gente que há em todo o lado. Na quantidade de comida que se produz para alimentar toda essa gente. Na quantidade de papel que se gasta em todos os destaks deixados para trás nos corrimões da estação de comboio.

Na verdade se estivermos a ver de fora, friamente, só vemos uma correria cega, dia após dia. Trabalho, casa, trabalho, pequenos prazeres no meio do muito a que obrigamos a nossa natureza. Despertares cada vez mais cedo, para chegar cada vez mais cedo e contornar filas inevitáveis, gente em todo o lado, comidas cada vez mais gordurosas numa vida cada vez mais acessória.
O que fazemos por nós afinal? Vivemos alienados do que produzimos, do que sentimos do que queremos.
Que criamos nós? Frangos, muitos e tudo em cadeia, muito de tudo para alimentar tanta gente. Obrigamos a natureza a curvar-se perante o nosso consumo. Muito desperdício. Muito e muito lixo, tanto que não sabemos o que fazer com ele.
E se o homem não tivesse predadores? E se o homem continuar a ser um vírus em constante mutação, cada vez com mais defesas, cada vez mais forte sobre todos os outros predadores?

Se o organismo luta para viver, desmesuradamente, mesmo para além de todas as suas forças. Seria esse organismo capaz de abdicar de si mesmo por uma existência em conformidade com o desenrolar natural da sua natureza interior em harmonia com o seu habitat?
Poderia esse acto generoso ultrapassar a dualidade que existe entre o homem e a criação?

É uma reflexão precipitada de quem viveu mais uma manhã no meio de uma multidão ensonada, quase preparada para mais um dia de nada

Quinta-feira, Março 09, 2006

More Than Words

Terça-feira, Março 07, 2006

A Sustentabilidade da Precedência

A aceitação social pelo grupo é fundamental para que todos em volta, te ajudem a conseguir objectivos.
Seja um elogio, um carinho, o acreditar que és capaz!
Mais do que merecer ou ser tudo isso, o que importa é que os outros acreditem que mereces, que és capaz e que por isso vão apostar em ti, faças o que fizeres, digas o que disseres. A tua imagem, a crença em ti, é como uma sombra que te precede.

Será o carisma, o magnetismo próprio?
Sartre, descreveu muito bem isso no seu livro a “Idade da Razão”, ao criar um personagem (Daniel) belo e com um magnetismo capaz de controlar e dissimular a sua verdadeira personalidade e intenções.
Não, que este traço específico de personalidade, seja característico de todos os indivíduos de que aqui falo mas, é o exemplo escrito mais próximo daquilo que pretendo transmitir.

A questão é:
O que é que sustenta de facto essa precedência?

Segunda-feira, Março 06, 2006

Teste Personalidade

Dynamic Inventor



My Personal Dna Report

http://www.personaldna.com/tests.php

Sexta-feira, Março 03, 2006

História Parte 9

Para António aquela situação também atingira um limite. Sabia que tinha de fazer uma opção, pois deixar Barbara livre como um passarinho, rodeada de tantos predadores deixou-o inseguro. Terminou tudo com a Sofia.
O que se pensou ser um fim, foi apenas o início de um longo tormento. A Sofia não se conformava com a decisão do seu amado e não eram poucos os dias em que por lá aparecia a chorar e a solicitar-lhe que voltasse atrás na sua decisão. Bárbara não gostava de Sofia, mas já não suportava vê-la a sofrer tanto e a ter comportamentos de total abandono da sua auto-estima. Sofia bebia muito, chorava e algumas vezes até lhe pedira conselho. Que lhe dizer? Sentia-se falsa.

Começou a ter pesadelos. Acabou por saber que houvera dias em que a suplica de Sofia tinha conquistado um lugar na cama de António e só de imaginar essa situação agoniava-se.
A Sofia não desaparecera das suas vidas, não, antes pelo contrário, tornara-se um fantasma insistente e sempre presente. Não estava disposta a deixar que António lhe passasse por cima do seu orgulho e queria-o com todas as suas forças.
Á noite Barbara sonhava que era traída, que se amavam sem o seu conhecimento, que António iria deixa-la e que o motivo era a incrível insistência de uma mulher que não aceitava ser abandonada. Por esse motivo matava em seus sonhos aquela mulher, que já não sabia se deveria odiar ou amar.

Os pensamentos ficaram confusos na sua cabeça, amava o António e por esse motivo não achava estranho que outra pessoa o desejasse tanto como ela. Quando percorria a sua pele e sentia o seu adocicado odor, conseguia compreender que mais alguém também quisesse provar desse néctar que a deixara adita.
Se a Sofia o amava tanto, como ela própria o amava, não seria a Sofia uma extensão dela mesma? E se ela fosse a Sofia? Seria justo ser-lhe negado esse amor?

Estavam deitados a dormir, quando começou a sonhar.
António levantou-se da cama, que mais não era que um colchão sobre a alcatifa, virou-se e agachou-se estendendo-lhe a mão e convidando-a com um aceno de cabeça para que o seguisse. Bárbara levantou-se e sentou-se na cama. Olha para um António à sua frente, e para o António deitado a seu lado com as mãos sobre o peito como era seu hábito e assusta-se.
Não consegue entender quem é aquele António que a convida para ir sabe-se lá onde. Que a quer afastar do SEU António verdadeiro. Entra em pânico quando se apercebe que ela mesma também está deitada a dormir, tenta acordar, mas não consegue. Tenta acordar,
sente que desce e volta, há um ruído, tenta gritar por socorro a António, mas as suas palavras pareciam presas, a sua boca pesada não emitia qualquer som. Debateu-se naquilo que lhe parecia uma eternidade e quando finalmente conseguiu acordar, estava coberta de suor e estremecia.
António continuava a dormir tranquilo a seu lado, não sabia o que pensar sobre tudo aquilo, sentia-se perdida.

História Parte 8

A noite começava animada, a música e as pessoas já começam a encher o espaço de paredes cinzentas e desenhavam-se cortinas de fumo cada vez mais densas sob o foco das luzes.
Um grupo de pessoas riam numa conversa animada num dos sofás, do outro lado um casal sussurrava baixinho cruzando olhares tímidos com os clientes que iam passando e na mesa do fundo o cliente mais triste do bar beberricava o seu Famous Grouse. Já lá estava como era seu costume desde o início da noite, cabisbaixo com o olhar perdido no contraste do líquido ocre do whisky e pelo brilho das luzes reflectidas no gelo.
-Só de olhar dá dó - pensou enquanto bebia mais um pouco do seu whisky cola. Estava inquieta e afogava os pensamentos sobre os olhares que algumas pessoas lhe deitavam e que a atormentavam, assim podia continuar pela noite dentro com uma falsa segurança. Olhou para o maço de tabaco já vazio, e tirou um novo do cofre vermelho, pegou no isqueiro e acendeu um cigarro que logo de seguida pousou ao ser chamada por um cliente ao fundo do bar.

- Hoje todos pedem cocktails – queixou-se ao entrar na cozinha para ir buscar o shaker que se encontrava lavado em cima de uma bancada. O jugoslavo que lavava pacientemente os copos fez um sorriso trocista e acompanhou a sua saída da cozinha de volta ao bar. Misturou a bebidas e logo voltou a entrar na cozinha agitando freneticamente o shaker e resmungando entre dentes, voltou a sair para o bar e ao olhar para a porta da rua, num gesto impensado agita o shaker com uma só mão, a tampa abre-se e o doce orgasmo cai-lhe em cima deixando-a toda suja e peganhenta – Isto hoje não me está a correr nada bem, diz voltando para a cozinha e dirigindo-se para o lava-loiça onde estava o copeiro – Calma, eu ajudo-te. -Isto não pode continuar – desabafou sem notar que pensava alto.

Por volta das duas da manhã começaram a entrar mais pessoas vindas do Bairro-Alto, o Carlos e o Ricardo subiam as pequenas escadas que davam ao bar. - Boa noite – diz Carlos com o seu habitual jeito feminino e altivo. - Boa noite, então como estava o Bairro?- pergunta Barbara. - Boas - diz Ricardo com um fresco aceno de mão. - O mesmo de sempre, estivemos no Nova, nas Primas e ainda demos um pulo aos Pastorinhos, responde Carlos antecipando-se a Ricardo e passado a mão pelos seus cabelos encaracolados. Carlos fazia-lhe sempre lembrar o vocalista dos Pet Shop Boys, no seu jeito artista e até mesmo pela arrogância e maneira importante como falava. O Ricardo era diferente, mais discreto e sereno nas suas intervenções, alto, moreno sempre com as suas botas Cendra e ganga rasgada, barbicha no queijo. Não percebia como se relacionava com uma pessoa tão diferente como o Carlos. Ás vezes perguntava-se se seriam amantes.

António que observava da porta, dirige-se para o bar e com um sorriso aberto cumprimenta com um aceno de cabeça os dois e pede a Barbara mais um whisky. - Já lá vou levar-to! – e virando-se para Ricardo pergunta – Hoje ainda estão a pensar ir ao Kremlin? - Talvez, depende – responde-lhe Ricardo com um sorriso malicioso.

Do bar, Barbara controlava a porta e esperava que a Sofia se ausentasse para descer com o Whisky. Assim que a viu afastar-se, dirigiu-se ara a porta, subiu o degrau da pequena antecâmara e fechou atrás de si a porta de isolamento. - Isto acaba já aqui! – gritou-lhe. - Que se passa, que tens? – pergunta António, enquanto tentava segura-la pelos ombros. Esquivando-se do seu toque, olhou furiosa para ele e confessou que não ia aguentar, nem mais um minuto aquela situação.
Quando António se preparava para argumentar entra a Sofia, bem disposta, com um sorriso rasgado o que ainda deixou Bárbara mais furiosa, - Que idiota - pensou e saiu sem explicações.

Nessa noite, Sofia acompanhou o António e toda a equipe do bar ao Kremlin, o que não era muito habitual, uma vez que tinha horas para chegar a casa.
Barbara sentia-se vazia e resolveu pedir mais uma bebida, aproximou-se do bar, cumprimentou o barman e pede o habitual. Depois de servida, voltou-se para a pista e aproximou-se das colunas de pedra. O som parecia encher todo o seu vazio, por isso fechou os olhos e deixou-se balançar. Sentiu um toque e ao abrir os olhos, apenas vê os lábios de Ricardo que se colaram aos seus e sente-se ser envolvida pelos seus braços firmes. Quando a larga, Barbara não sabe o que pensar.
- Porque fizeste isso? Pergunta-lhe ao ouvido?
- Não imaginas há quanto tempo pretendia fazer isto, não consegui conter-me ao olhar os teus lábios vermelhos.
Barbara ficou confusa, será que em algum momento o incitara a isto, sempre o achara atraente, mas nunca lhe ocorrera tal. Possivelmente ele já bebera demais. Olhou de relance e viu que António ao lado de Sofia olhava tenso para ambos, hesitante afastou de si Ricardo com um sorriso tímido, mas intimamente triunfante.
Sentia-se vingada!

Sábado, Fevereiro 18, 2006

História parte 7

Sentia que devia ser prática nas questões amorosas. Por um lado queria amar profundamente, por outro recusava render-se ao engano do comportamento estereotipado adoptado no teatro da relações em que todos pareciam desempenhar maus personagens.

Estava a preparar o bar, quando inusitadamente entra a Sofia, bronzeada e a deixar o ar com o seu perfume fresco de verão.

- Olá, boa noite para todos! – disse.
- Olá – disse bárbara secamente – sempre achara a Sofia uma menina da mamã, com um pai rico que lhe dava tudo. Sempre a achara fútil e chata, das vezes que tentara fazer conversa, evitava sempre grandes aproximações porque os seus mundos simplesmente, pensava, não se tocavam.

Passou toda a noite a olhar, quase que involuntariamente para a porta, onde estava o António e a Sofia que se derretia em sorrisos.
- Porque estou a olhar tanto? - pensou zangada.
- 2 Cervejas – pede um cliente habitual.
Ficou parada, deu umas voltas sem sentido, parecia perdida naquele pequeno espaço.
- Duas cervejas, por favor! – acena novamente o cliente.
- Já ouvi, já ouvi – respondeu efusivamente.
- Estou a ver que não estás nos teus dias, mas isso já faz parte, ás vezes perguntamo-nos, como vai estar ela, esta noite? – disse a sorrir.
Olhou enjoada e serviu as cervejas voltando a cara.

- Vamos? - pergunta António ao final da noite, já depois de tudo arrumado.
- Não, fiquei de ir ter com o Sérgio, lá acima ao bairro. Vou conhecer o bar dele e depois vamos a uma inauguração em cascais.
- Ah, não sabia. Posso ir contigo?
Bárbara não sabia o que responder, a pergunta deixou-a aliviada e acabou por concordar.

O novo espaço em Cascais era diferente dos de Lisboa, tinha espaço ao ar livre sobre a praia, o que era óptimo para o verão e naquela noite de abertura, toda as caras conhecidas da noite estavam lá.

- Estás a gostar – perguntou o Sérgio.
- Sim, parece-me bem – respondeu – vou buscar mais uma bebida, querem? – Perguntou-lhes.
O Sérgio estava notoriamente contrariado com a presença do António e este por sua vez, sentia-se a mais, mas de algum modo a sua intenção era mesmo essa. Guardar algo que julgava ter conquistado e que lhe pertencia.
A situação estava tensa entre os três e Bárbara já só desejava ir embora, deixar o Sérgio ali mesmo, que era nitidamente um conquistador. Havia algo nele, que não sabia definir bem, mas que não lhe agradava.

De regresso a casa e já a sós, António pediu-lhe para ficar com ele. Sentiu vontade de dizer que sim, mas não era certo.
- Recordo-te que foi só um acontecimento, não pretendo passar por cima de ninguém, nem ser um caso teu – disse.
- Tens razão, não posso pedir-te isso.
Não se deixaram partir, ficaram juntos nessa manhã, como em quase todas as outras que se seguiram, vivendo escondidos do que ela considerava um erro irresistível.

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

História parte 6

O sol começava a subir veloz no horizonte enquanto esperavam pelo cacilheiro sentados à beira-rio.


- Amanhã chega a Sofia - diz António contemplativo.
- Humm,… tudo bem – diz Bárbara meio indiferente.
- De qualquer forma ainda temos hoje.
- Sim - concordou Bárbara, agora com um estranho nó na garganta. Não se lembrava já do “pequeno pormenor” de que ele namorava a Sofia.
Acontecera tudo tão depressa que ainda não tivera tempo para ter em conta esse facto. Além disso considerara que seria apenas um simples caso sem consequências e que sairia inteira disso.

Afinal tudo acontecera porque estava completamente fora de si naquele dia em que pela primeira vez ficaram juntos. Sentia-se ferida e queria vingar-se do mundo e de tudo o que não alcançava e julgou que depois seria fácil livrar-se dele. Sim, exactamente assim.
Trabalhar no mesmo local e fazer todos os dias o mesmo percurso acabou por unir os seus caminhos. Aos poucos a anterior imagem foi substituída por uma mais permissiva. Deixava-o seguir a seu lado, sentia-se protegida e menos sozinha. Ás vezes surpreendentemente ele escutava-a e era até compreensivo.

- Talvez tenha sido o embalar do Tejo. E agora? - Pensou.

Caminharam em silêncio sobre a ponte do cais e dirigiram-se para a proa do barco, sentando-se do lado de fora, na varanda.
O cacilheiro avançava tranquilo amaciando as ondas do rio com os seus reflexos dourados.
Lá em cima abraçados em despedida olhavam o sol que ia já alto.

Nos dias que se seguiram existia um vazio com nome. Uma saudade não assumida.
Ele continuava lá, no bar e no barco todos os dias, mas agora evitavam o evidente.

A casa Feliz!


Fiz o teste da casa e este foi o resultado:

Based on your drawing and the 10 answers you gave this is a summary of your personality:You are sensitive and indecisive at times. You are a freedom lover and a strong person. You are shy and reserved. If you've drawn a cross on each of windows, you always want to live alone. You are very tidy person. There's nothing wrong with that because you're pretty popular among friends. Your life is always full of changes. When it comes to love, you shut yourself off. It's difficult to win your heart because you have decided to keep your feelings deep inside. You see the world as it is, not as you believe it should be. You added a flower into your drawing. The flower signifies that you long for love. It also safe to say that others don't see you as a flirt. You are self-confident and happy with your life.

Teste da Casa

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

História parte 5

Projectava-se no espelho num reflexo devolvido de perfeição. Procurava alcançar as linhas perfeitas de Adónis enquanto puxava cada um dos seus fios de cabelo pastosos de laca.
António anunciava o seu nome com um invulgar orgulho de ser português e isso convencia de tal modo a sua plateia que já ninguém duvidava da nobreza e do estatuto de alguém portador de tal nome.
O jovem de 27 anos e estudante de design de interiores apresentava-se de forma extravagante nos seus modos femininos e provocadores.
Logo na primeira noite além de menospreza-la quis oferecer-lhe uma gratificação ao ser servido e ao pagar ostensivamente uma rodada no seu grupo de amigos.
Odiou-o ao primeiro olhar.

Quando soube que o tal fulano desagradável e pretensioso, iria passar a ser seu colega, achou que seria impossível a convivência, desde aquela noite em que no Kremlin a agarrara pelas pernas e a subira no ar, sem qualquer tipo de consentimento da sua parte, achava-o muito mal-educado e até nojento. Bem dada aquela valente bofetada que lhe dera. Podia julgar que se ouviu, mesmo no meio das colunas mais potentes de Lisboa.

No entanto deu-se o inesperado, algo com que não contava. Foi precisamente com aquele ser que considerava tão arrogante e maldito que viveu o seu primeiro e mais possessivo amor.
Entregou-se à paixão e deu-se na sua fragilidade a ele em todas as manhãs do seu anoitecer. Algo nascia de grande, de forte, de avassalador que os seus braços magros e jovens não conseguiriam segurar.

Olhava no fundo dos seus olhos de azul infinito todas as manhãs das suas vidas juntos, tentando encontrar um fio condutor que a amarrasse de vez ao porto de chegada daquele António que inspirava como o ar.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

Pecados 1994


As pontes de Madison County

Ontem estava em casa e começou a dar o filme “As pontes de Madison County”, comecei a ver porque me lembrava vagamente, mas já não me recordo se alguma vez o vi até ao fim.
Na vida a relação que temos com o mundo estabelece-se na base da nossa própria experiência. Aquela situação particular, mesmo que noutro país, outros contornos, pareceu-me tão idêntica de alguma forma ao que vivo agora ou que poderia viver, que todas as frases ecoaram em mim, como se eu as tivesse proferido sentidamente ou como se a mim fossem dirigidas.
Acabei por não ter seguido o filme até ao fim, mas gostava de comentar como adorei ouvir do personagem Robert (acho que era assim que se chamava), que Africa era o país que mais gostava de ter conhecido porque lá tudo acontecia naturalmente, sem se colocar nenhuma moralidade, as coisas acontecem simplesmente como devem de acontecer. Referindo-se aos animais e à sua relação entre si e também em relação ás pessoas.
Apesar de eu nunca ter ido a África, é o país que mais me seduz e uma vez ao ver um documentário em sobre o HIV em África do Sul, a sensação que eu tive foi a mesma que ele descreve. Ao ver uma rapariga que era seropositiva a ser entrevistada, surpreendeu-me a naturalidade com que ela encarava a situação. Um pouco triste sim por estar doente, mas não com o peso do preconceito que se sente nas pessoas entrevistadas, por exemplo em Portugal.
Este foi só uma das coisas que eu gostei e estou aqui a realçar, vou querer ver novamente o filme e ir até ao fim, porque senti uma identificação muito grande com a história.
Aconselho a quem ainda não viu.

Sábado, Fevereiro 11, 2006

Hoje no jardim de Ontem


Hoje voltei ao jardim da minha infância.
No centro, ainda a grande árvore central que apesar de despida ainda acolhe debaixo dos seus ramos as jogatanas de lazer.
Os vagabundos deitados nos bancos já gastos pelo sol, vento e chuva.
Os pombos que bicam e se escondem do grito das crianças.
A varanda lançada sobre o cais que mostra o Tejo em labuta.

Apoiei-me na varanda…, olhei, inspirei e libertei o ar.
Deixei renovar a recordação com novas imagens, do mesmo jardim, quase o mesmo, mas nunca mais o mesmo, mas ainda assim igual para mim.

Por isso resolvi pintar um pouco do jardim no qual subi ás arvores, brinquei, corri e dei o meu primeiro beijo.
Foi bom estar de volta!

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Montagem



Manuel Pessôa-Lopes



Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006

História parte 4

Trabalhar á noite era fascinante mas inicialmente muito cansativo, mas foi como se a vida se abrisse em leque à sua frente. Havia pessoas novas, a musica era infinitamente muito mais interessante e representativa do que sentia, o Top + realmente não passava nada do que acontecia no mundo da música e isso fazia-a questionar sobre tudo o resto a que não tinha acesso.
As suas notas aumentaram, pois ganhou o gosto pelo estudo e ajudava as suas colegas, sentia-se nas nuvens por viver uma vida paralela à mundana onde tudo acontecia a um ritmo muito superior e onde muita gente procurava tal como ela, dar asas à imaginação, à afirmação da personalidade e a marcar a diferença.

Passou a ter conversas de facto e as festas deixaram de ser as da escola em que os amigos se metiam em fila a curtir encostados á parede, comportamento que não compreendia, ou o de fumar gansas e ouvir The Wall, numa terrível depressão de grupo.
Não, isso já era história, agora pintava-se para parecer mais adulta, ia a restaurantes e bares no bairro alto, conhecia pessoas muito mais velhas e com a diferença que partilhavam a sua história, a sua vida sem nunca questionarem a sua idade, modos tímidos, ou insegurança, porque valorizava-se a diferença.

Viviam-se tempos de muita mudança, era o início dos anos 90, os cure e The Sundays faziam furor nas pistas de dança, usava-se muito o preto e os sapatos de cunha alta, que de inicio não tinha, nem se sentiria ela mesma com aqueles trajes, mas aos poucos passaram a fazer parte também do seu guarda roupa.
No Kremlin havia as fantásticas festas da espuma até altas horas, geralmente quem lhes dava cor eram alunos do IADE pela sua excentricidade. Faziam comboios em cima das colunas e agitavam as suas plumas.
Havia um mundo completamente alternativo e louco, olhava em volta e nem sabia de inicio reconhecer que aquelas belas mulheres de vestidos vermelho erótico eram na verdade travestis.

Sentiu-se agarrada e fascinada com este alcançável mundo novo e foi nessa altura que conheceu o António.

História parte 3


Ser adolescente não é fácil, por um lado há uma grande alteração corporal e hormonal, a sexualidade passa a ser uma parte fundamental desse período, por outro lado inicia-se um esquema de percepção mais complexo que liga algumas das peças da nossa existência em puzzle e em consequência surgem as grandes questões existenciais, o que estamos a fazer aqui neste mundo, qual o caminho a seguir?
Para todas as estas novas questões que surgem em força por esta altura, a escola não responde. Na escola pretende-se que os alunos aprendam os conteúdos de um programa curricular apertado e que deve ser seguido à risca. Não há espaço para a partilha de experiências, alunos e professores estão em lados opostos que raramente se tocam, o que resulta numa profunda alienação em relação á escola, pois não acompanha as necessidades reais de um período fundamental do desenvolvimento.
Numa época de crescimento e definição pessoal, quebrar os laços com os vínculos do passado é fundamental, mas é preciso que se faça essa transição em segurança, com o amor e o suporte de pais e educadores.

Estava neste ponto de partida e ao olhar em redor parecia-lhe que o mundo se encontrava de pernas para o ar. Ninguém tinha respostas, nada estava organizado ou previsto, que desilusão. O que fazer, em que verdades acreditar ou seguir?
Na escola, sentia pena da professora de Inglês, era a única que se preocupava em tornar a aula num momento lúdico, mas ninguém lhe prestava atenção e por mais de uma vez, ficou com lágrimas nos olhos. Saiu para o intervalo e foi para o seu local preferido, atrás do pavilhão. Sentou-se e a chupar uma azeda e a sentir o calor do sol. Parecia que era abraçada naquele momento pelo sol e que isso aquecia a sua existência. O pensamento em suspenso, até ao próximo toque de entrada, até ao próximo professor, até á próxima indiferença.

Chegou a casa ao fim da tarde, já sabia como ia ser o resto da noite foi, evadida por uma solidão profunda.
Depois do jantar, como habitualmente, a sua mãe recolheu-se para descansar do peso de carregar uma existência sem amor, sempre tentando manter um ténue equilíbrio entre a realidade e a dor.
Sentou-se na sala vazia, olhou para a televisão e chorou. Não querendo ceder, agarrou na sua máquina de escrever Triunph, já quase centenária, e bateu furiosamente nas teclas tentando exorcizar a solidão, a falta de alguém com quem partilhar aquele espaço, aquele momento.

Uma Parte de Mim

Manuel Pessôa-Lopes

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

A flor é a amizade, esta flor é para ti! : )

História parte 2

  • História parte 1

    Entraram no bar que estava vazio, a hora de abrir ainda ia longe e foram recebidos por um holandês de olhos e cabelo claro, muito simpático e sorridente.
  • Enquanto ele e o Pessoa conversavam sobre a exposição, olhava as paredes de cimento cinzentas, sem qualquer janela para o exterior. Apesar de ser um sítio fechado tinha uma iluminação muito bem pensada para que todos os incógnitos se misturassem no jogo da noite e da luz.

    Gostou de ali estar, o holandês era verdadeiramente simpático, com um ar muito jovial e optimista com a exposição realizada no seu espaço e ali divulgada.

    No fim da sessão, propôs-lhe trabalhar lá aos fins-de-semana. Não sabia o que pensar, era mesmo uma oportunidade fantástica poder pertencer a outro mundo, conhecer outras pessoas. Teria de arranjar um modo de convencer a sua mãe a permitir.

    As conversas pela noite dentro, na sala de sua casa, eram aquecidas por uma ténue tonalidade.

    Nesse ambiente, juntavam-se amigos para abrir as portas a algumas questões inquietantes próprias da idade e da imaturidade com que julgávamos pisar pela primeira vez a vida.Queria nesses momentos abraçar todo o conhecimento e mistérios soterrados no inconsciente das suas cabeças e no entanto parecia existir apenas a vacuidade do aparente, a prisão da matéria que a agarrava, a ela e a todos pelos calcanhares, a uma existência sem respostas.

    As histórias e o discurso eloquente do Pessoa, associado ao facto privilegiado de ser o mais velho membro do grupo, deixava-o um grande passo á frente em relação á nossa experiência. Ouvi-lo era quebrar com os preconceitos estabelecidos durante nossa educação de criança, e quando naquela noite ele disse que fazer sexo era tão natural como beber um café, as suas palavras ficaram a pairar em eco no fumo dos já muito fumados cigarros.

    Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

    Quadro "Desafios" Verão 2005

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    Quadro 1mx1.5m

    Pintei este quadro com os meus dois filhos, ele com 4 anos e ela com 1 ano e meio.
    Foi divertido, fazer com eles a pintura, mas para já não pretendo repetir a experiência, uma vez que depois de terminado o quadro, ambos estavam praticamente cobertos de tinta por acharam imensa piada fazer uma guerra de pinceis e colorir o próprio corpo. : )

    Quadro "Chão de Flores Liláses" Dez 2005

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    Quadro "Moinho de Vento" Dez 2005

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    Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

    Aprender a sentir

    Hoje em dia e cada vez mais, existe uma grande inapetência para lidar com sentimentos. Isto verifica-se na idade adulta e também nas crianças.
    Os sentimentos, que deveriam ser a nossa bússola e como tal aliados, são na verdade, grandes empecilhos com os quais não sabemos lidar.
    Por esse motivo, mais do que mete-los para trás, ou querermos nos livrar deles, devemos antes aprender a lidar com os vários tipos de sentimentos, saber como reagir a cada um deles, de modo a que seja de facto aliados e não inimigos.

    Esta ideia surgiu ao deparar-me com alguns comportamentos do meu filho mais velho de 4 anos e meio. Tenho verificado que ele fica tímido em relação a alguns sentimentos e muitas das vezes não os sabe exprimir, ou reprime-os.
    Isto fez-me pensar que era urgente intervir e ajudar o meu filho a sentir-se mais confortável com algo tão natural como sentir.

    A minha ideia é criar um momento lúdico, em que as crianças se sentam em círculo no chão, connosco e depois são convidadas primeiro a apresentar os sentimentos que conhecem, o mais provável é não terem noção do que significa sentimento e então é importante identificar primeiro o que são os sentimentos. Depois da identificados, convida-las, uma a uma, a falar sobre um sentimento que conheçam e a exprimi-lo com mímica e sons.
    Depois de exprimi-lo fisicamente e verbalmente, falar entre todos sobre possíveis maneiras de lidar com cada sentimento, por exemplo, como agir quando se sente zangado. Quais as alternativas.

    Em relação ás soluções, vou deixar em aberto e confiar na criatividade e sabedoria de cada criança para arranjar soluções para cada expressão única da sua identidade.

    Segunda-feira, Novembro 28, 2005

    Pelas tuas mãos...

    Vou viajar por entre os dedos das tuas mãos, um percurso quente pelo todo.
    O todo de mim, de ti e de sempre.
    Estou lá nas estrelas, no espaço e no vazio do mundo.
    Danço ao som desta música, que é a minha, e me encanto a cada segundo que passa.
    Não há mais nada para além deste conforto de estar aqui, dentro de tudo e tudo dentro de mim.

    Vou-me deixar levar, levando-me.
    Vou alcançar, deixando-me ficar.
    Vou viver acordada, no mundo dos sonhos.
    Vou construir, não construindo, a realidade que vou viver.

    Estou aqui, ali, e aonde eu quiser.
    No espaço e no tempo, sempre aonde eu estiver, será o local devido.
    Vou estar simplesmente em mim e para mim, deixando lá antes, o passado, os medos, os futuros.
    Libertar o corpo e a alma da amarras da ilusão.

    Sexta-feira, Novembro 25, 2005

    Pelo caminho...a saudade...

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    Havia o desejo de sair, de caminhar lado a lado pela praia e pelas folhas caídas do Outono.
    Caminhei e caminhei, contornei as árvores, as folhagens dos caminhos e lá continuei eu sempre em frente rumo a ti e também a mim.

    Gosto de imaginar a luz dos bosques como uma saudação da vida em mim enquanto corro ás voltas e brinco com o ar e a luz enleada no sol, sinto um leve arrepio de consolo desse abraço de calor.
    A vida e o amor, tudo num só a planarem nas nuvens e no ar de Setembro que te envolve nos meus braços.

    Ainda bem que chegaste!

    Esperava-te no porto, ao pé da praia, perto daquele café em que um dia rimos e conversàmos bebendo as palavras ao som das ondas.
    E no entanto, apesar de isso ter acontecido há muito tempo, continuei sempre na mesma praia à tua espera.

    Ainda bem que chegaste!

    Quarta-feira, Novembro 02, 2005

    Gatos em Telhados

    Da janela da casa de banho, saía sorrateiramente para os páteos das casas antigas de Lisboa.
    A lua lá alto, iluminava as telhas, as saliências e os muros de cal aos quais com grande agilidade, tal qual o gato Negrito da vizinha, eu saltava e percorria os telhados ao luar, indo a todos os lugares e castelos das minhas fantasias de gato vadio.
    Olhava para mim e não podia crer que o fazia, mas era tão incrivelmente fácil, tal como pensar ou querer.
    E assim vadiava toda a noite, por todos os lugares vasculhando os segredos de todas as vidas em volta desta cidade luminosa e colorida nas suas formas.

    Mais do que saltar ou trepar, é a incrivel sensação de libertade, em que não se verifica as limitações da gravidade e do corpo.
    Essa sensação enche-nos de nós e na sua agilidade, tudo estava ao meu alcance.

    Mesmo pequena e menina, eu tinha o dom de sonhar que fugia pela janela e que por mim mesma conquistava o espaço e o tempo imortalizando essa plenitude e magia, que para sempre ficou em mim e nos sonhos do agora.

    Mesmo presos ao corpo, à vida e às escolhas, há sempre uma janela em nós, que nos lança no desconhecido e na unidade da vida, guiados pelas asas da nossa imaginação.

    Segunda-feira, Outubro 31, 2005

    O Amante Emocional


    Ás vezes pergunto-me se nós, as pessoas em geral, conseguimos viver sem estar apaixonados?!
    Quem tem uma relação estável e de longa data, sabe que essa relação ao longo do tempo sofre oscilações, não é linear. Que existem vários momentos de amor, paixão, amizade e companheirismo, ou até, uma rotina que facilmente leva à indiferença.

    Ás vezes suspiramos ao lado do nosso companheiro e lembramos as alturas em que tudo era mágico nessa pessoa. Quando estar ao seu lado era o mais importante.
    Quando nos deixava o sangue a correr nas veias de modo intenso como uma forte corrente electrica a atravessar o corpo e que a cada toque o nosso corpo ansiava por mais, e o nosso cheiro se fundida com o seu odor adocicado a porto seguro.
    Entregávamos-nos a essa paixão e a um estado alterado de consciência e liberdade.

    Ás vezes esse sentimento volta, não tão intenso, mas ainda assim forte.
    Não em falta, mas mais rico em cumplicidade, em historia, partilha e amor.
    Mas ainda assim diferente!

    A ideia do amante emocional surgiu-me hoje na cabeça, ainda não sei definir bem o que significa ou quais os seus contornos, mas é algo que já faz parte da minha vida, ainda que talvez temporárioamente como uma fantasia ou carência.

    Seja o que for é doce e vou vive-lo enquanto durar.
    Permanecer no presente, mais do em qualquer lado. Aqui, bem perto de mim ao ritmo do meu respirar e sentir!

    Sábado, Outubro 01, 2005

    Lencinho

    Hoje aconteceu algo surpreendente.
    Estávamos os quatro em família na sala, quando o nosso filho nos propôs um jogo.
    O Jogo do lencinho!

    A nossa memória é extraordinária!
    Assim que ele começou a cantar a música do lencinho, eu fiz de imediato uma viagem ao passado e encontrei-me eu mesma a jogar no meu colégio a este jogo.
    Mas, o que me surpreendeu mais, foi esta memória ter estado adormecida durante tantos anos.
    Mais do que um reencontro, foi de novo a minha criança ter saltado para esta sala e agora como mãe viver a infinita alegria de ser criança!

    Para que possam também viver este momento em família, vou deixar o refrão ditado pelo meu filho.

    Jogo do lencinho

    Os presentes, sentam-se em círculo no chão.
    Quem tem o lencinho, corre por detrás dos participantes com um lenço que vai deixar cair aleatoriamente, quando pretender.

    Entretanto o grupo canta:

    O lencinho vai na mão;
    Quem olhar para trás,
    Leva um grande beliscão!

    Já caiu?
    Não!

    Já Caiu?
    Não!

    Quem olhar para trás leva um grande beliscão!

    Quando o lencinho é largado atrás de alguém, essa pessoa deve pegar nele e correr atrás da pessoa que o largou., que por sua vez se vai sentar no local onde estava a outra e o jogo recomeça.

    Aconselho a todos, a miúdos e graúdos, é muito, muito divertido!!!

    Quinta-feira, Setembro 15, 2005

    Crianças com Fome

    Hoje estava eu muito confortavelmente sentada na minha cadeira, diante de um bom computador, num ambiente climatizado, quando encontrei um vídeo sobre as crianças que passam fome e que estão sub nutridas.

    Há uns anos eu não conseguia compreender ente tipo de desníveis que existem no mundo. O porque das fomes, das guerras, do sofrimento, das doenças, enfim.
    Uma criança nascer já com imensos problemas, fazia-me perguntar, que mal fez aquela criança que ainda agora nasceu e já trás tanto sofrimento.
    O que me ensinaram na catequese e provavelmente a todos nós, é que vivemos num mundo que nos castiga quando não somos bons e cometemos más acções.
    E então eu perguntava-me, como pode esta criança estar a sofrer se não teve tempo de pecar?

    Quando li o livro conversas com Deus, consegui perceber um pouco a lógica do mundo, que muitas das vezes é tão diferente da nossa.
    Tudo o que acontece tem um motivo, existe um equilíbrio entre o ying e yang.
    Tudo o que acontece é com o consentimento de alguém, de um governo, de uma nação, de uma cultura.
    Porque tudo o que existe e como existe é criado por nós, é responsabilidade nossa.
    Teria Hitler feito, tudo o que fez sozinho?
    Claro que não.

    Compreender um pouco mais do que acontece, faz-nos ser mais tolerantes, ajuda-nos a compreender melhor a vida, as pessoas e a aceitar no nosso coração sem revolta.
    Mas saber que faz parte, não significa que não doa ou que fique imune, não significa que deva ficar de braços cruzados.
    O que senti depois de ver tudo aquilo era que queria correr para lá e cuidar de todas as crianças e salva-las a todas. Como se tudo isto fosse assim tão fácil.

    Mas e se nós fossemos uma daquelas crianças?
    Não íamos vibrar ao ver alguém de braços abertos para nós com um sorriso amigo a nos dar colo, amor, compreensão?

    Todos nós, aqui ou lá, merecemos ser amados, aceites e alimentados no corpo e na alma.
    O que podemos fazer então para ajudar estes nossos irmãos?

    Sexta-feira, Setembro 02, 2005

    Envelhecer na Paz

    Às vezes tenho pressa de envelhecer.
    Não é que eu queira ser velha, ter rugas e tudo o que deve de acompanhar esse processo.

    Gosto de imaginar é que já passei pela vida, pelas escolhas, pelas lutas, pelas aventuras, pelos perigos e então do fim desse caminho, que olho para trás com uma sensação de descanso, tranquilidade e plenitude.
    Que todas estas opções da vida já foram tomadas.
    Que olho para trás para a minha vida como se estivesse a ver um filme, sentir todas as emoções sem a pressão do directo, sem a pressão das consequências.
    Contemplando apenas a obra, agora acabada e livre.

    Sigo na rua os idosos com o olhar e tento captar esse momento, essa paz.
    Finalmente o silêncio!

    Quarta-feira, Agosto 24, 2005

    Desfazer o nó

    Ás vezes há situações na vida que nos fazem sentir perdidos, situações que aparecem para resolvermos e, nós que até estávamos bem connosco mesmo, levamos com uma enxurrada de sentimentos e situações com as quais não sabemos lidar.

    Não adianta querer fugir, porque fazê-lo é querer evitar o sofrimento e recusar uma oportunidade de crescer.
    Como há verdadeiros mestres de fuga, a vida encarrega-se de nos colocar em situações para as quais não existe escapatória possível.

    O sofrimento, infelizmente, foi o método escolhido pelos homens como forma de aprendizagem.
    Fiquei encolhida, a sentir esta dor, á espera que passasse.
    Esperneei por dentro, procurei ajuda e senti-me escorregar por uma parede lisa. Olhei em volta e estava sozinha.
    Fui atirada para o fosso dos meus sentimentos, porque tudo o que sentimos está em nós e não nos outros.
    Enquanto me concentrei no problema não via a solução, e quando alguém ma meteu no colou chorei desconsoladamente porque estava tão obcecada com a razão que não via a saída.
    Senti auto comiseração e abandono e meti em causa tudo o que de valioso adquiri até hoje.
    É nas provações que se conhece a verdadeira personalidade de alguém e não na temperança.

    Temos de aceitar que nem sempre aquilo que queremos é o que nos está destinado, mesmo que o pudéssemos alcançar.
    Se nós tivermos planos para a vida, a vida não tem espaço para ter planos para nós!

    As adversidades são aliadas do auto conhecimento, cabe-nos a nós escolher de que lado vamos estar, do lado da vítima ou do lado do observador atento!

    Como eu quero ser feliz, já escolhi o meu lado : )

    Domingo, Agosto 21, 2005

    Trabalhar Dignifica o Homem

    Ás vezes sinto-me totalmente cansada e farta da rotina.
    Começa logo de manha o ufa ufa, acordar, tomar banho, acordar os miúdos que não estão com a mínima vontade de serem empurrados para fora da cama, lava-los e vesti-los entre protestos e birras, dar-lhes comida e sair de casa a correr porque está quase na hora de eles entrarem, e porque se me atraso depois perco o comboio.

    O comboio, esse lugar pacifico e lindo que me permite por a leitura em dia e estar um pouco a sós comigo! Nada como o som do pouca-terra-pouca-terra para me adormecer os sentidos no seu embalo.
    O trabalho faz-se bem, porque quem toma conta de uma casa, sabe que o trabalho por vezes quase é um descanso por comparação. E quando há clientes chatos, aborrecidos, ou enraivecidos, nada como uma mãe treinada e compreensiva para os ouvir, aconselhar e mimar.

    Depois é a volta a casa, ir buscar os filhos, já mais tranquila, o chegar a casa, o banho, o jantar, ufa e por fim a brincadeira no tapete.
    Adoro a minha vida, a minha rotina tão saudável sempre cheia de novos momentos, novas partilhas, novas conquistas e tudo com tanto amor, harmonia e algumas zangas pelo meio.

    Mas há dias em que quando penso que tenho de limpar, de arrumar, de cozinhar, faz-me ficar completamente farta de me ter de dedicar a estas coisas todas quase automaticamente porque é sempre, sempre preciso mais qualquer coisa e o trabalho nunca acaba.
    Os brinquedos espalhados pelo chão, o pó que parece nascer de um dia para o outro, o chão espelhado com marcas de sujidade todos os dias.

    Apetece-me gritar, sou uma dona de casa desesperada!

    Então nessas alturas penso, e se eu tivesse sempre a casa toda limpa e arrumada? Significaria que me poderia dedicar só a mim, ás minhas leituras e pinturas. E o que significaria isso?
    Que eu possivelmente, não tinha uma casa cheia de miúdos a correr, a brincar, a sorrir e a espalhar vida por todos os cantos, e a partilhar comigo essa maravilhosa experiência que é dar incondicionalmente e a amar sem limites.

    Ou seja, a única coisa na vida que não dá trabalho é a SOLIDÃO, tudo o resto exige muito trabalho. O amor, a família, a amizade, o crescimento, etc. Porque tudo exige um investimento de tempo, atenção, energia e nada se faz sem isso.
    É um processo, tudo é um processo e como tal exige de nós.

    Então a frase” Trabalhar Dignifica o Homem”, pode aplicar-se num sentido bem mais abrangente do que inicialmente se poderia pensar. Ou seja esta labuta infinita pelos filhos, pela casa, pela amizade, pela família vale de facto a pena porque é isso que nos dignifica, que nos move, inspira e que nos faz crescer!

    Sexta-feira, Agosto 19, 2005

    Como consolar um adulto?

    Ultimamente tenho pensado nisso, ás vezes sinto saudades de quando era criança e quando o abraço e os carinhos da minha mãe eram o suficiente para me fazer sentir segura, amada e aconchegada.

    Com a idade desprendemo-nos dos carinhos dos nossos pais, primeiro por afirmação e depois por falta de hábito, quando nos tocam é constrangedor.
    Ás vezes aparecem ainda as tias que nos dão grandes abraços e nos apertam contra si, e todos sabem que isso representa mais uma das situações desconfortáveis ás quais fazemos um sorriso amarelo.
    O contacto físico é cada vez menor, guardamos esses momentos para os nossos parceiros e se por acaso a rotina cria um fosso nos hábitos de afecto, acabamos por viver sem contacto e carinho.

    Não podemos dizer que a responsabilidade é da mãe, do pai, do amigo, da tia, de quem for. A responsabilidade é nossa, somos nós que fechamos a porta, somos nós que não aceitamos receber de facto.
    Não sei como mudar, mas vou tentar aos poucos, penso que o calor de um abraço, a sensação de terra segura vale a pena!
    Por esse motivo tenho treinado mais o meu abraço, com os meus filhos e com o maridão. Ele vai a passar e eu digo, "chega aqui, deixa-me abraçar-te".

    Hoje acordei e como sempre senti que não podia fazer qualquer tipo de movimento. Aconchegados a mim, meus dois filhos, um de cada lado a não deixar qualquer espaço entre nós, porque eu sou o seu porto seguro, o seu consolo a sua fonte de alegria.
    Sorri a olhar o tecto e pensei, existirá maior consolo que este?

    Quinta-feira, Agosto 18, 2005

    Infinito

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    O que encontro no horizonte? O meu infinito !

    Segunda-feira, Agosto 15, 2005

    Meninos à Janela

    Existirá coisa mais maravilhosa que ver nossos dois filhos, lindos à janela a acenar para nós e a sorrir?
    Posso dizer que esta imagem irá ficar gravada no meu coração e que foi uma óptima maneira de começar o dia!
    Amo-vos e obrigada por existirem na minha vida!

    Quinta-feira, Agosto 11, 2005

    Inveja

    Quem pensa que pode ter ideias e projectos, está a meter-se em terreno pantanoso e mais tarde ou mais cedo acaba por se afundar.
    Isto acontece porque as pessoas são extremamente invejosas e infelizes e como tal não podem permitir que outrem se destaque, ou que leve os seus ideais a bom porto.

    Como nada se faz sozinho, porque a vida é feita em grupo, o método de castigo passa pelo abandono e indiferença até ao cúmulo do cinismo.
    Fazem-se pequenas intrigas e juízos de valor adulterados e assim vão minando o terreno.

    Vibram imenso com a derrota dos outros.
    Que tipo de pessoa é que se regozija com o mal dos outros?
    Que lhe chamarias?
    Vê-se um brilho de glória no teu olhar.
    Afinal qual é a tua glória?

    Chama-se a isto falta de visão.
    Porque quem age assim não percebe que está a fazer mal a si próprio.
    Tudo tem um retorno.
    Dá tudo o que gostarias de receber!
    Se queres ser feliz, entrega também a felicidade aos outros.
    Permite que os outros cresçam, porque assim também tu vais crescer.

    Nunca tentes ser feliz à custa da infelicidade dos outros, esse não é o caminho que te leva a ti mesma.
    Olha para dentro, constrói o teu mundo das cores e valores que desejares. Desenha o jardim por onde queres caminhar, com todas as flores que te pareçam tu mesma.
    Não cries limites onde não existem, liberta-te, deixa a tua imaginação fluir.

    Ser feliz está nas nossas mãos.
    Quem diz que não o é, é porque espera que o mundo mude para o ser.
    Mais vale esperar sentando!
    És tu quem tem de mudar para ser feliz, pensa nisso, está só ao alcance da tua vontade!

    Quarta-feira, Agosto 10, 2005

    Quadro "Intensidade da Natureza" 1994

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    Quadro " Imagem no Horizonte" Maio 2005

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    Terça-feira, Agosto 09, 2005

    Quadro "Contos de Fadas para Crianças" Agosto de 2005

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    Conto de Fadas

    Estava um lindo final de dia, o sol punha-se ao fundo na colina e o dourado do Outono adivinhava já o cheiro da terra nas primeiras chuvas.
    Entrou na cabana e correu para as pernas da mãe num abraço apertado, sua expressão de terra segura dizia, “és tão macia mãe”.

    Sentaram-se na mesa de madeira e comeram nos pratos de barro uma farta sopa de grão e carne. Saciadas, deitaram-se ambas na cadeira ao pé do lume e assim começou a mãe:

    “ Era uma vez um reino muito distante onde as pessoas eram muito felizes e simples. Viviam do seu trabalho e amavam-se profundamente.
    A sua cidade situava-se na margem de um comprido rio e a sua geografia era bastante entrecortada cheia de belas colinas. O habitantes chamavam ao seu reino a terra da luz devido ás magnificas imagens no sol nascente e pôr-do-sol.

    Nesse reino havia uma linda e grande casa onde vivia uma bela rapariga.
    Um dia a menina penteava os cabelos quando um pássaro azul pousou na sua janela. Era um pássaro muito elegante e brilhante que a olhava fixamente.
    A menina apaixonou-se de imediato pelas suas cores e convidou-o a entrar.

    O tempo foi passando e a sua relação de amizade foi crescendo, era como se a sua comunicação fosse perfeita.
    Certo dia, a rapariga falava normalmente com o seu pássaro azul quando muito surpreendida este lhe respondeu em palavras.

    Então contou-lhe a história do seu reino e da sua vida.
    Ele era um homem muito importante na sua cidade uma vez que era dono da única loja de livros que havia nas redondezas. Tinha herdado da sua família uma considerável biblioteca e fazia então disso sua vida.
    Como as pessoas não sabiam ler, iam muitas vezes até ele para que este lhes lesse cartas, ou ensinasse a escrever.
    Isso não foi de agrado de figuras importantes, como o Juiz, o Bispo, entre outras, que encomendaram a uma poderosa feiticeira que o transformasse em animal.
    E assim foi, certo dia ele acorda como um pássaro azul.

    A menina ficou muito comovida e deu-lhe um leve beijo no bico e uma lágrima rolou do seu rosto caindo sob as penas do seu coração.
    Encontrados, adormeceram.

    No dia seguinte, quando a jovem acorda, vê a seu lado o bibliotecário e ambos se abraçam ainda mais apaixonados.
    O amor é um poderoso elixir contra todo o tipo de feitiços e maldades e assim viveram felizes para sempre!
    Fim”

    A luz da lareira agora em brasa, iluminava o rosto da menina já adormecida. Possivelmente já nem tinha ouvido o final da história e continuaria ela mesma o conto nos braços do seu sonho.

    Quadro "As Casinhas" Maio 2005

    Sexta-feira, Agosto 05, 2005

    No meio está a virtude!

    A sabedoria popular, conhecida por muitos e usada por quase todos no dia-a-dia, pode ser considerada senso comum, cliché ou populismo, mas a verdade é que o seu valor intrínseco ninguém lhe pode tirar.
    Lembro-me perfeitamente de a minha avó, dizer, filha não pode ser assim nem assim, onde mostrava a sua mão ora fechada, ora aberta, e concluía, tem de ser assim, mostrando a mão semiaberta.

    Esta coisa das frases terem significado, é muito subjectiva. Nem sempre estamos preparados para compreender o seu significado na totalidade.
    Para exemplificar vou dar-vos um exemplo que hoje me faz rir imenso, mas que na altura me deixou com um enorme ponto de interrogação.
    Tinha eu os meus 16 anos, quando um amigo me disse zangado: “ Isto é preso por ter cão e preso por não ter!”, eu não compreendi peva, e riam-se, até me perguntei se ele me estaria a chamar de cão.
    Só um dia mais tarde, quando eu própria senti que ás vezes é preso por ter cão, como por não ter, que se fez luz na minha cabeça!
    Sim riam-se á vontade, porque eu também me ri imenso.

    Bom, mas voltando ao tema principal que me levou a escrever este texto, depois de muito analisar a minha própria história, a história da vida em alguns aspectos, fez-me compreender, tal como Kant já havia afirmado (grande pensador), que a virtude nos pode levar ao soberano bem.
    No entanto, uma vez que o nosso caminho não é linear, somos crianças, amadurecemos e morremos a vida em si diz-nos que temos de passar pelos extremos para finalmente atingirmos o equilíbrio.
    Se vocês forem analisar bem, esta regra aplica-se a muitas áreas da existência. Por exemplo na história, depois de um período de grande repressão sexual, nos anos 60 verificou-se uma grande abertura sexual no seu expoente máximo, pouco depois essa atitude refreou.
    Quando passamos da meninice para a puberdade, sentimos uma grande vontade de ir contra os nossos pais e os valores adquiridos, queremos e precisamos testar as nossas próprias opções, porque temos de afirmar a nossa individualidade como pessoa única, no entanto mais tarde compreendemos as palavras dos nosso pais e as suas atitudes, até que por fim nos tornamos todos mais idênticos.

    Talvez estes exemplos sejam muito abrangentes, mas esta regra aplica-se a quase tudo na vida. Atinjam o vosso ponto de equilíbrio e vão com certeza sentir-se melhor!

    Uma arvore cheia de frutos fica caída, humilde. Uma arvore vazia, é uma arvore altiva, arrogante!

    Quinta-feira, Agosto 04, 2005

    Exagerada

    Hoje durante uma conversa com duas pessoas diferentes e sobre dois assuntos diferentes fui chamada de exagerada.
    Parece-me que hoje em dia as pessoas que fazem as coisas correctas continuam a ser apelidadas desta maneira.
    A propósito de um texto sobre psicologia social, falava-se que num grupo de trabalho, o honesto é sempre mal visto por todos os outros membros da equipe.
    Bom, isto para mim não é novidade, mas ainda assim não me faz ficar mais tranquila, uma vez que só me posso sentir bem com a minha própria consciência se for autentica para comigo mesma e com os outros. Podem dizer o que quiserem, mas eu tento ser sempre o tipo de empregada que gostaria de ter!
    Apesar de eu ser assim, não significa que seja bufa, ou que seja assim para ser mais, ou melhor que os outros, sou assim porque quero ser igual a mim mesma e não qualquer outra coisa que possa agradar aos outros e não a mim.

    Sempre ouvi dizer que o melhor que pode acontecer a um homem, é depois da maturidade conseguir voltar a ser criança.
    Não é nada fácil isso, porque durante o nosso caminho muita coisa nos magoa e transforma, mas penso ser uma característica minha ser positiva e como tal gosto dos finais felizes, de pintar flores, de ser simpática no meu trabalho, imaginar tesouros no fim de um arco-íris e de olhar o infinito no horizonte.
    No fundo sou uma criança por dentro e as crianças são por natureza exageradas!

    Quarta-feira, Junho 29, 2005

    História parte 1

    No cimo da chaminé, a olhar Lisboa, sentiu-se grande!

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    Manuel Pessôa-Lopes

    Foi assim que tudo começou, ela em corpo de menina a pousar em vestido de mulher, e ele, Pessoa por detrás da objectiva a recriar as imagens do seu imaginário.
    Olhou orgulhosa para a fotografia em sépia. Ela numa chaminé, bem alto em Lisboa.Quem poderia acreditar.
    Não sabe porque o fazia, na realidade acreditava na sua arte porque fazia parte dela e porque nascia de momentos e lugares velhinhos, como a casa por debaixo da chaminé.Não sabe porque os ama, os lugares velhinhos, mas eles fazem parte do seu imaginário de criança e escondem tesouros imensos. Lembraste da padaria Pessoa? Talvez não, porque não lhe tinha acesso, mas deveria de ter visto. Era grande, o chão usado e grandes balcões de madeira velha onde se colocava o pão depois de sair de um grande forno de lenha. Lembra-se perfeitamente de se enfiar nesses balcões de madeira e brincar lá dentro.Nas traseiras, viviam milhares de pombos e aquela imagem a preto e branco, dos pombos e das paredes caiadas, o seu contraste era realmente único.
    Penso que por isso amava a sua arte, porque também ele via um pouco o mundo como ela, cheio da sua particular beleza.
    Beijou o espelho com a boca pintada de vermelho, na mesma casa, por debaixo da chaminé. Nunca poderia imaginar o resultado.

    Terça-feira, Junho 28, 2005

    Tratado contra os LOLs

    Conversa no msn:
    Mó: Olá tudo bem?
    David: Oi
    Mó: o tempo hoje está estranho, fico mole!
    David: LOL

    Mas o que é isto?
    Será que ele está louco, penso eu!
    Digam-me, porque?
    Porque que toda a gente responde com lols por tudo e nada?
    Nem sequer tem a ver com a conversa, o assunto! …. Com que fundamento se vira aquele gajo e diz LOL?
    Estou farta!... uma pessoa não pode estar descansada na net a falar com a malta sem ser bombardeada por LOLs a toda a hora.
    POR FAVOR!!! …. Acabem com essa cena, ok?!
    Estrangeirismos para que?
    Eu pessoalmente prefiro os hi hi hi (à bruxa má), mas também é aceitável os ah ah ah, agora LOL, francamente.

    Na Noite

    Mais uma vez ali estava eu, bem no meio da pista de dança do Kremlin, de olhos fechados, o coração aos pulos e uma enorme vontade de chorar e abraçar o passado vivido naquele espaço por tantos anos.
    Foi a saudade, a nostalgia e uma enorme emoção por estar de volta.
    Dancei como já não dançava faz muitos anos, gritei muito e esbracejei porque não existe melhor terapia do que aquela em que nos expandimos por nós mesmos.
    Olhei em volta e não vi o bar do G, voltei a fechar os olhos, não estava lá o Vítor Alves para nos dar as bebidas, os travestis do Finalmente, nem o Meninho em cima das colunas de Kilt. Mas apesar de todo o louco e fantástico passado não estar ali, estava eu, diferente do que era, nunca mais a mesma, mas com o mesmo brilho a mesma vontade a mesma juventude.
    Óptima terapia a pista de dança, para o corpo se movimentar e libertar, gritar como loucos porque ninguém nos ouvirá e sorrir para nós mesmos porque isso é o mais importante.
    Dancei e dancei mais e pulei e voltei a esbracejar e foi o máximo!
    Foram muitas as noites, as longas noites da vida Lisboeta vividas sempre até de manhã, com muitas caras conhecidas desse sub mundo, e muitas desconhecidas também.
    Às vezes penso que poderia voltar a percorrer todos os caminhos, todas as ruas dessas noites nas linhas das palavras e reviver um passado ao qual já não pertenço e não quero pertencer de novo.
    Amo-te noites da minha vida e quem sabe, até breve!

    Domingo, Junho 26, 2005

    Velhinhos bonitos em Molduras

    Ia no comboio, na minha habitual viagem de sonho dormente e à minha frente ia sentado um senhor de idade, negro.
    Era muito magro e seco, vestia um fato completo, cinzento meio prateado, já roçado.
    Tinha os cabelos esbranquiçados, é difícil fazer a ideia exacta da sua idade, talvez 70 ou até 90 anos, uma vez que as pessoas de cor se mantêm jovens por mais tempo.
    Nunca hei-de esquecer a sua expressão!
    Uns olhos que pareciam dois mundos inteiros de muitas vidas, uma expressão humilde a cair na inocência, um corpo frágil como toda a sua actual existência.

    A beleza esconde-se onde menos se espera e está ao mesmo tempo em toda a parte.
    Achei aquele momento lindo, a sua imagem, preencheu-me de muitas imagens, de muitos velhinhos, tal como aquele, retratados em pequenas fotografias quadradas a preencher uma grande parede branca.
    Muitos velhinhos lindos e negros, captados na sua essência expostos para que todos possam ver tal como eu, que a beleza está nas rugas, nas expressões, nas sensações, na essência que emitimos ao simplesmente sermos aquilo que somos.

    Sexta-feira, Junho 24, 2005

    Os Sonhos

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    Sonhar é de todas as possibilidades do homem, uma das mais maravilhosas e importantes.
    Acho que durante os sonhos o abstracto nos leva a conhecer e a viajar por outras paragens, abre-nos para novas experiências.
    Acho que aprendi muitas coisas durante os meus sonhos e algumas vezes até recebi alguns avisos.
    Houve alturas críticas na minha vida, que durante um sonho, me eram apresentadas soluções, ou mais curioso ainda, havia um guia que fazia comigo uma visita guiada para me mostrar que os meus medos eram infundados.
    Também houve alturas de mudança em que os meus sonhos eram conturbados, mas a sua mensagem final dizia que era mais a minha percepção que estava a controlar a realidade porque ia ser tudo mais simples. E de facto, depois tudo acontecia naturalmente de forma tranquila.
    Faz pouco tempo, li um livro que nos ensina que sonhar acordado é muito importante. Porque isso faz com que organizemos aquilo que de facto é essencial para nós, e o que nos faz sentir bem. Devemos ter fé e confiança que um dia os nossos sonhos se realizarão.
    Mas costuma-se dizer, tem cuidado com o que desejas, pode de facto realizar-se.
    Ás vezes o que pensamos ser o melhor para nós, pode não ser o que verdadeiramente precisamos, ou que tem a ver connosco. Quantas vezes não fazemos escolhas baseadas nas opções dos outros? Baseadas naquilo que nos trás status?
    As nossas escolhas, as realmente nossas, são as únicas que nos podem conduzir à felicidade. As únicas que nos podem fazer sentir bem connosco mesmos, as únicas que nos tornarão realmente autênticos.
    Continuem a sonhar muito, acordados ou a dormir, porque sonhar é bom!

    Quarta-feira, Junho 22, 2005

    A culpa é toda dos filmes!!!

    Ultimamente há minha volta, existe um grande número de pessoas que sofrem.
    Umas porque se vêm em relações que não queriam, outras porque ainda não encontraram a pessoa que amam e outras que ainda não se encontraram a si mesmas e andam perdidas.

    Pode até ser uma visão reducionista, mas é uma perspectiva que tenho, a culpa é toda dos filmes!!!!
    E quem diz filmes, diz séries, telenovelas e afins. E porquê, perguntam perplexos, que conexão tem?
    Vivemos muito o que se passa nos ecrãs, nas revistas e no mundo das estrelas.
    E essa vivência é sempre mais leve, assistimos ao início, meio e fim confortáveis no nosso mundo a uma distancia de segurança, com mais ou menos adrenalina, e naquele tempo tudo fica claro, tudo se concretiza.
    Na vida nada é assim. A existência pesa. A existência tem o seu próprio tempo que não controlamos, as pessoas que não compreendemos, os problemas que temos de ir superando.
    Creio que por vezes temos dificuldade em compreender entre o que é possível e real e o que é ficção sugerida aos nossos sentidos.
    Esquecemo-nos que a vida é um processo de crescimento muito próprio e distinto para cada um e não um filme em que tudo acontece ao ritmo dos nossos desejos ou vontades.
    Não sei se isto vos acontece, mas comigo acontece muito, por exemplo, um personagem que faz de pobre, mal vestido e mal cheiroso. Esse personagem está a ser interpretado por um Robert de Niro, ou por um Brat Pitt. Eu nunca consigo ter a noção, por mais bem caracterizados que estejam, desse seu estado. Portanto, por mais que a passagem da informação esteja bem feita, se eu fosse a um hospital psiquiátrico ou se um vagabundo passar por mim os sentidos reagem de maneira diferente, porque eu vejo, eu cheiro eu sinto a sua vibração. Perante a realidade a percepção é diferente, mais concreta talvez.

    Por isso amigos, não se iludam com as belas imagens, com os belos conceitos que cravaram nas nossas mentes.
    Procurem sempre dentro de vós mesmos, considerem sempre todas as hipóteses, analisem se aquilo que procuram, idealizam, se existirá de facto, se não estarão a exigir castelos de areia feitos no ar.
    A realidade é linda e bela se tivermos coragem de a olhar de frente, a sensibilidade para a apreciar.
    Percorram o vosso caminho efectivo porque só esse vale realmente a pena e só esse nos conduz a nós próprios!

    Terça-feira, Junho 21, 2005

    A Amizade

    A Amizade

    A amizade já não é o que era!
    Acho que o avançar da idade tem coisas muito boas quando estamos entre os 25 e os 30 anos. No entanto por esta altura as nossas relações sociais alteram-se e estranhamente parecem regredir.
    Talvez por ser uma época de afirmação, conquista de mercado de trabalho, ou lá o que for, a questão é que os valores que fizeram parte de quase toda a nossa vida parecem deixar de fazer sentido.
    Quando antes tudo era motivo de festa e de convívio e se valorizava a aceitação dos pares, agora tudo serve para segregar o outro.
    Um dia dei por mim a olhar bem para as características de todos os que se diziam meus amigos e o agora, e afinal não existem assim tantas diferenças quando isso. Estava já lá tudo, não tão definido como agora, mas os traços gerais hoje vincados, já faziam parte daquela pessoa.
    Já me habituei à ideia, mas continuo a sofrer com isso.
    Talvez de futuro a amizade possa ganhar novos horizontes, novas conquistas e até possa ser mais forte.
    Não sei, por isso lanço a questão:
    Como é a amizade na vossa vida?
    Como se alterou ao longos dos anos?
    Que significado tem hoje?

    A Nascente

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    A Nascente surge da ideia de partilhar sentimentos e emoções. Quem sabe criar laços de comunicação profunda sobre temas vários.