http://i8.photobucket.com/albums/a26/monicaleal/sap.jpg anascente: Junho 2005

quarta-feira, junho 29, 2005

História parte 1

No cimo da chaminé, a olhar Lisboa, sentiu-se grande!

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Manuel Pessôa-Lopes

Foi assim que tudo começou, ela em corpo de menina a pousar em vestido de mulher, e ele, Pessoa por detrás da objectiva a recriar as imagens do seu imaginário.
Olhou orgulhosa para a fotografia em sépia. Ela numa chaminé, bem alto em Lisboa.Quem poderia acreditar.
Não sabe porque o fazia, na realidade acreditava na sua arte porque fazia parte dela e porque nascia de momentos e lugares velhinhos, como a casa por debaixo da chaminé.Não sabe porque os ama, os lugares velhinhos, mas eles fazem parte do seu imaginário de criança e escondem tesouros imensos. Lembraste da padaria Pessoa? Talvez não, porque não lhe tinha acesso, mas deveria de ter visto. Era grande, o chão usado e grandes balcões de madeira velha onde se colocava o pão depois de sair de um grande forno de lenha. Lembra-se perfeitamente de se enfiar nesses balcões de madeira e brincar lá dentro.Nas traseiras, viviam milhares de pombos e aquela imagem a preto e branco, dos pombos e das paredes caiadas, o seu contraste era realmente único.
Penso que por isso amava a sua arte, porque também ele via um pouco o mundo como ela, cheio da sua particular beleza.
Beijou o espelho com a boca pintada de vermelho, na mesma casa, por debaixo da chaminé. Nunca poderia imaginar o resultado.

terça-feira, junho 28, 2005

Tratado contra os LOLs

Conversa no msn:
Mó: Olá tudo bem?
David: Oi
Mó: o tempo hoje está estranho, fico mole!
David: LOL

Mas o que é isto?
Será que ele está louco, penso eu!
Digam-me, porque?
Porque que toda a gente responde com lols por tudo e nada?
Nem sequer tem a ver com a conversa, o assunto! …. Com que fundamento se vira aquele gajo e diz LOL?
Estou farta!... uma pessoa não pode estar descansada na net a falar com a malta sem ser bombardeada por LOLs a toda a hora.
POR FAVOR!!! …. Acabem com essa cena, ok?!
Estrangeirismos para que?
Eu pessoalmente prefiro os hi hi hi (à bruxa má), mas também é aceitável os ah ah ah, agora LOL, francamente.

Na Noite

Mais uma vez ali estava eu, bem no meio da pista de dança do Kremlin, de olhos fechados, o coração aos pulos e uma enorme vontade de chorar e abraçar o passado vivido naquele espaço por tantos anos.
Foi a saudade, a nostalgia e uma enorme emoção por estar de volta.
Dancei como já não dançava faz muitos anos, gritei muito e esbracejei porque não existe melhor terapia do que aquela em que nos expandimos por nós mesmos.
Olhei em volta e não vi o bar do G, voltei a fechar os olhos, não estava lá o Vítor Alves para nos dar as bebidas, os travestis do Finalmente, nem o Meninho em cima das colunas de Kilt. Mas apesar de todo o louco e fantástico passado não estar ali, estava eu, diferente do que era, nunca mais a mesma, mas com o mesmo brilho a mesma vontade a mesma juventude.
Óptima terapia a pista de dança, para o corpo se movimentar e libertar, gritar como loucos porque ninguém nos ouvirá e sorrir para nós mesmos porque isso é o mais importante.
Dancei e dancei mais e pulei e voltei a esbracejar e foi o máximo!
Foram muitas as noites, as longas noites da vida Lisboeta vividas sempre até de manhã, com muitas caras conhecidas desse sub mundo, e muitas desconhecidas também.
Às vezes penso que poderia voltar a percorrer todos os caminhos, todas as ruas dessas noites nas linhas das palavras e reviver um passado ao qual já não pertenço e não quero pertencer de novo.
Amo-te noites da minha vida e quem sabe, até breve!

domingo, junho 26, 2005

Velhinhos bonitos em Molduras

Ia no comboio, na minha habitual viagem de sonho dormente e à minha frente ia sentado um senhor de idade, negro.
Era muito magro e seco, vestia um fato completo, cinzento meio prateado, já roçado.
Tinha os cabelos esbranquiçados, é difícil fazer a ideia exacta da sua idade, talvez 70 ou até 90 anos, uma vez que as pessoas de cor se mantêm jovens por mais tempo.
Nunca hei-de esquecer a sua expressão!
Uns olhos que pareciam dois mundos inteiros de muitas vidas, uma expressão humilde a cair na inocência, um corpo frágil como toda a sua actual existência.

A beleza esconde-se onde menos se espera e está ao mesmo tempo em toda a parte.
Achei aquele momento lindo, a sua imagem, preencheu-me de muitas imagens, de muitos velhinhos, tal como aquele, retratados em pequenas fotografias quadradas a preencher uma grande parede branca.
Muitos velhinhos lindos e negros, captados na sua essência expostos para que todos possam ver tal como eu, que a beleza está nas rugas, nas expressões, nas sensações, na essência que emitimos ao simplesmente sermos aquilo que somos.

sexta-feira, junho 24, 2005

Os Sonhos

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Sonhar é de todas as possibilidades do homem, uma das mais maravilhosas e importantes.
Acho que durante os sonhos o abstracto nos leva a conhecer e a viajar por outras paragens, abre-nos para novas experiências.
Acho que aprendi muitas coisas durante os meus sonhos e algumas vezes até recebi alguns avisos.
Houve alturas críticas na minha vida, que durante um sonho, me eram apresentadas soluções, ou mais curioso ainda, havia um guia que fazia comigo uma visita guiada para me mostrar que os meus medos eram infundados.
Também houve alturas de mudança em que os meus sonhos eram conturbados, mas a sua mensagem final dizia que era mais a minha percepção que estava a controlar a realidade porque ia ser tudo mais simples. E de facto, depois tudo acontecia naturalmente de forma tranquila.
Faz pouco tempo, li um livro que nos ensina que sonhar acordado é muito importante. Porque isso faz com que organizemos aquilo que de facto é essencial para nós, e o que nos faz sentir bem. Devemos ter fé e confiança que um dia os nossos sonhos se realizarão.
Mas costuma-se dizer, tem cuidado com o que desejas, pode de facto realizar-se.
Ás vezes o que pensamos ser o melhor para nós, pode não ser o que verdadeiramente precisamos, ou que tem a ver connosco. Quantas vezes não fazemos escolhas baseadas nas opções dos outros? Baseadas naquilo que nos trás status?
As nossas escolhas, as realmente nossas, são as únicas que nos podem conduzir à felicidade. As únicas que nos podem fazer sentir bem connosco mesmos, as únicas que nos tornarão realmente autênticos.
Continuem a sonhar muito, acordados ou a dormir, porque sonhar é bom!

quarta-feira, junho 22, 2005

A culpa é toda dos filmes!!!

Ultimamente há minha volta, existe um grande número de pessoas que sofrem.
Umas porque se vêm em relações que não queriam, outras porque ainda não encontraram a pessoa que amam e outras que ainda não se encontraram a si mesmas e andam perdidas.

Pode até ser uma visão reducionista, mas é uma perspectiva que tenho, a culpa é toda dos filmes!!!!
E quem diz filmes, diz séries, telenovelas e afins. E porquê, perguntam perplexos, que conexão tem?
Vivemos muito o que se passa nos ecrãs, nas revistas e no mundo das estrelas.
E essa vivência é sempre mais leve, assistimos ao início, meio e fim confortáveis no nosso mundo a uma distancia de segurança, com mais ou menos adrenalina, e naquele tempo tudo fica claro, tudo se concretiza.
Na vida nada é assim. A existência pesa. A existência tem o seu próprio tempo que não controlamos, as pessoas que não compreendemos, os problemas que temos de ir superando.
Creio que por vezes temos dificuldade em compreender entre o que é possível e real e o que é ficção sugerida aos nossos sentidos.
Esquecemo-nos que a vida é um processo de crescimento muito próprio e distinto para cada um e não um filme em que tudo acontece ao ritmo dos nossos desejos ou vontades.
Não sei se isto vos acontece, mas comigo acontece muito, por exemplo, um personagem que faz de pobre, mal vestido e mal cheiroso. Esse personagem está a ser interpretado por um Robert de Niro, ou por um Brat Pitt. Eu nunca consigo ter a noção, por mais bem caracterizados que estejam, desse seu estado. Portanto, por mais que a passagem da informação esteja bem feita, se eu fosse a um hospital psiquiátrico ou se um vagabundo passar por mim os sentidos reagem de maneira diferente, porque eu vejo, eu cheiro eu sinto a sua vibração. Perante a realidade a percepção é diferente, mais concreta talvez.

Por isso amigos, não se iludam com as belas imagens, com os belos conceitos que cravaram nas nossas mentes.
Procurem sempre dentro de vós mesmos, considerem sempre todas as hipóteses, analisem se aquilo que procuram, idealizam, se existirá de facto, se não estarão a exigir castelos de areia feitos no ar.
A realidade é linda e bela se tivermos coragem de a olhar de frente, a sensibilidade para a apreciar.
Percorram o vosso caminho efectivo porque só esse vale realmente a pena e só esse nos conduz a nós próprios!

terça-feira, junho 21, 2005

A Amizade

A Amizade

A amizade já não é o que era!
Acho que o avançar da idade tem coisas muito boas quando estamos entre os 25 e os 30 anos. No entanto por esta altura as nossas relações sociais alteram-se e estranhamente parecem regredir.
Talvez por ser uma época de afirmação, conquista de mercado de trabalho, ou lá o que for, a questão é que os valores que fizeram parte de quase toda a nossa vida parecem deixar de fazer sentido.
Quando antes tudo era motivo de festa e de convívio e se valorizava a aceitação dos pares, agora tudo serve para segregar o outro.
Um dia dei por mim a olhar bem para as características de todos os que se diziam meus amigos e o agora, e afinal não existem assim tantas diferenças quando isso. Estava já lá tudo, não tão definido como agora, mas os traços gerais hoje vincados, já faziam parte daquela pessoa.
Já me habituei à ideia, mas continuo a sofrer com isso.
Talvez de futuro a amizade possa ganhar novos horizontes, novas conquistas e até possa ser mais forte.
Não sei, por isso lanço a questão:
Como é a amizade na vossa vida?
Como se alterou ao longos dos anos?
Que significado tem hoje?

A Nascente

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A Nascente surge da ideia de partilhar sentimentos e emoções. Quem sabe criar laços de comunicação profunda sobre temas vários.