http://i8.photobucket.com/albums/a26/monicaleal/sap.jpg anascente: Agosto 2005

quarta-feira, agosto 24, 2005

Desfazer o nó

Ás vezes há situações na vida que nos fazem sentir perdidos, situações que aparecem para resolvermos e, nós que até estávamos bem connosco mesmo, levamos com uma enxurrada de sentimentos e situações com as quais não sabemos lidar.

Não adianta querer fugir, porque fazê-lo é querer evitar o sofrimento e recusar uma oportunidade de crescer.
Como há verdadeiros mestres de fuga, a vida encarrega-se de nos colocar em situações para as quais não existe escapatória possível.

O sofrimento, infelizmente, foi o método escolhido pelos homens como forma de aprendizagem.
Fiquei encolhida, a sentir esta dor, á espera que passasse.
Esperneei por dentro, procurei ajuda e senti-me escorregar por uma parede lisa. Olhei em volta e estava sozinha.
Fui atirada para o fosso dos meus sentimentos, porque tudo o que sentimos está em nós e não nos outros.
Enquanto me concentrei no problema não via a solução, e quando alguém ma meteu no colou chorei desconsoladamente porque estava tão obcecada com a razão que não via a saída.
Senti auto comiseração e abandono e meti em causa tudo o que de valioso adquiri até hoje.
É nas provações que se conhece a verdadeira personalidade de alguém e não na temperança.

Temos de aceitar que nem sempre aquilo que queremos é o que nos está destinado, mesmo que o pudéssemos alcançar.
Se nós tivermos planos para a vida, a vida não tem espaço para ter planos para nós!

As adversidades são aliadas do auto conhecimento, cabe-nos a nós escolher de que lado vamos estar, do lado da vítima ou do lado do observador atento!

Como eu quero ser feliz, já escolhi o meu lado : )

domingo, agosto 21, 2005

Trabalhar Dignifica o Homem

Ás vezes sinto-me totalmente cansada e farta da rotina.
Começa logo de manha o ufa ufa, acordar, tomar banho, acordar os miúdos que não estão com a mínima vontade de serem empurrados para fora da cama, lava-los e vesti-los entre protestos e birras, dar-lhes comida e sair de casa a correr porque está quase na hora de eles entrarem, e porque se me atraso depois perco o comboio.

O comboio, esse lugar pacifico e lindo que me permite por a leitura em dia e estar um pouco a sós comigo! Nada como o som do pouca-terra-pouca-terra para me adormecer os sentidos no seu embalo.
O trabalho faz-se bem, porque quem toma conta de uma casa, sabe que o trabalho por vezes quase é um descanso por comparação. E quando há clientes chatos, aborrecidos, ou enraivecidos, nada como uma mãe treinada e compreensiva para os ouvir, aconselhar e mimar.

Depois é a volta a casa, ir buscar os filhos, já mais tranquila, o chegar a casa, o banho, o jantar, ufa e por fim a brincadeira no tapete.
Adoro a minha vida, a minha rotina tão saudável sempre cheia de novos momentos, novas partilhas, novas conquistas e tudo com tanto amor, harmonia e algumas zangas pelo meio.

Mas há dias em que quando penso que tenho de limpar, de arrumar, de cozinhar, faz-me ficar completamente farta de me ter de dedicar a estas coisas todas quase automaticamente porque é sempre, sempre preciso mais qualquer coisa e o trabalho nunca acaba.
Os brinquedos espalhados pelo chão, o pó que parece nascer de um dia para o outro, o chão espelhado com marcas de sujidade todos os dias.

Apetece-me gritar, sou uma dona de casa desesperada!

Então nessas alturas penso, e se eu tivesse sempre a casa toda limpa e arrumada? Significaria que me poderia dedicar só a mim, ás minhas leituras e pinturas. E o que significaria isso?
Que eu possivelmente, não tinha uma casa cheia de miúdos a correr, a brincar, a sorrir e a espalhar vida por todos os cantos, e a partilhar comigo essa maravilhosa experiência que é dar incondicionalmente e a amar sem limites.

Ou seja, a única coisa na vida que não dá trabalho é a SOLIDÃO, tudo o resto exige muito trabalho. O amor, a família, a amizade, o crescimento, etc. Porque tudo exige um investimento de tempo, atenção, energia e nada se faz sem isso.
É um processo, tudo é um processo e como tal exige de nós.

Então a frase” Trabalhar Dignifica o Homem”, pode aplicar-se num sentido bem mais abrangente do que inicialmente se poderia pensar. Ou seja esta labuta infinita pelos filhos, pela casa, pela amizade, pela família vale de facto a pena porque é isso que nos dignifica, que nos move, inspira e que nos faz crescer!

sexta-feira, agosto 19, 2005

Como consolar um adulto?

Ultimamente tenho pensado nisso, ás vezes sinto saudades de quando era criança e quando o abraço e os carinhos da minha mãe eram o suficiente para me fazer sentir segura, amada e aconchegada.

Com a idade desprendemo-nos dos carinhos dos nossos pais, primeiro por afirmação e depois por falta de hábito, quando nos tocam é constrangedor.
Ás vezes aparecem ainda as tias que nos dão grandes abraços e nos apertam contra si, e todos sabem que isso representa mais uma das situações desconfortáveis ás quais fazemos um sorriso amarelo.
O contacto físico é cada vez menor, guardamos esses momentos para os nossos parceiros e se por acaso a rotina cria um fosso nos hábitos de afecto, acabamos por viver sem contacto e carinho.

Não podemos dizer que a responsabilidade é da mãe, do pai, do amigo, da tia, de quem for. A responsabilidade é nossa, somos nós que fechamos a porta, somos nós que não aceitamos receber de facto.
Não sei como mudar, mas vou tentar aos poucos, penso que o calor de um abraço, a sensação de terra segura vale a pena!
Por esse motivo tenho treinado mais o meu abraço, com os meus filhos e com o maridão. Ele vai a passar e eu digo, "chega aqui, deixa-me abraçar-te".

Hoje acordei e como sempre senti que não podia fazer qualquer tipo de movimento. Aconchegados a mim, meus dois filhos, um de cada lado a não deixar qualquer espaço entre nós, porque eu sou o seu porto seguro, o seu consolo a sua fonte de alegria.
Sorri a olhar o tecto e pensei, existirá maior consolo que este?

quinta-feira, agosto 18, 2005

Infinito

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O que encontro no horizonte? O meu infinito !

segunda-feira, agosto 15, 2005

Meninos à Janela

Existirá coisa mais maravilhosa que ver nossos dois filhos, lindos à janela a acenar para nós e a sorrir?
Posso dizer que esta imagem irá ficar gravada no meu coração e que foi uma óptima maneira de começar o dia!
Amo-vos e obrigada por existirem na minha vida!

quinta-feira, agosto 11, 2005

Inveja

Quem pensa que pode ter ideias e projectos, está a meter-se em terreno pantanoso e mais tarde ou mais cedo acaba por se afundar.
Isto acontece porque as pessoas são extremamente invejosas e infelizes e como tal não podem permitir que outrem se destaque, ou que leve os seus ideais a bom porto.

Como nada se faz sozinho, porque a vida é feita em grupo, o método de castigo passa pelo abandono e indiferença até ao cúmulo do cinismo.
Fazem-se pequenas intrigas e juízos de valor adulterados e assim vão minando o terreno.

Vibram imenso com a derrota dos outros.
Que tipo de pessoa é que se regozija com o mal dos outros?
Que lhe chamarias?
Vê-se um brilho de glória no teu olhar.
Afinal qual é a tua glória?

Chama-se a isto falta de visão.
Porque quem age assim não percebe que está a fazer mal a si próprio.
Tudo tem um retorno.
Dá tudo o que gostarias de receber!
Se queres ser feliz, entrega também a felicidade aos outros.
Permite que os outros cresçam, porque assim também tu vais crescer.

Nunca tentes ser feliz à custa da infelicidade dos outros, esse não é o caminho que te leva a ti mesma.
Olha para dentro, constrói o teu mundo das cores e valores que desejares. Desenha o jardim por onde queres caminhar, com todas as flores que te pareçam tu mesma.
Não cries limites onde não existem, liberta-te, deixa a tua imaginação fluir.

Ser feliz está nas nossas mãos.
Quem diz que não o é, é porque espera que o mundo mude para o ser.
Mais vale esperar sentando!
És tu quem tem de mudar para ser feliz, pensa nisso, está só ao alcance da tua vontade!

quarta-feira, agosto 10, 2005

Quadro "Intensidade da Natureza" 1994

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Quadro " Imagem no Horizonte" Maio 2005

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terça-feira, agosto 09, 2005

Quadro "Contos de Fadas para Crianças" Agosto de 2005

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Conto de Fadas

Estava um lindo final de dia, o sol punha-se ao fundo na colina e o dourado do Outono adivinhava já o cheiro da terra nas primeiras chuvas.
Entrou na cabana e correu para as pernas da mãe num abraço apertado, sua expressão de terra segura dizia, “és tão macia mãe”.

Sentaram-se na mesa de madeira e comeram nos pratos de barro uma farta sopa de grão e carne. Saciadas, deitaram-se ambas na cadeira ao pé do lume e assim começou a mãe:

“ Era uma vez um reino muito distante onde as pessoas eram muito felizes e simples. Viviam do seu trabalho e amavam-se profundamente.
A sua cidade situava-se na margem de um comprido rio e a sua geografia era bastante entrecortada cheia de belas colinas. O habitantes chamavam ao seu reino a terra da luz devido ás magnificas imagens no sol nascente e pôr-do-sol.

Nesse reino havia uma linda e grande casa onde vivia uma bela rapariga.
Um dia a menina penteava os cabelos quando um pássaro azul pousou na sua janela. Era um pássaro muito elegante e brilhante que a olhava fixamente.
A menina apaixonou-se de imediato pelas suas cores e convidou-o a entrar.

O tempo foi passando e a sua relação de amizade foi crescendo, era como se a sua comunicação fosse perfeita.
Certo dia, a rapariga falava normalmente com o seu pássaro azul quando muito surpreendida este lhe respondeu em palavras.

Então contou-lhe a história do seu reino e da sua vida.
Ele era um homem muito importante na sua cidade uma vez que era dono da única loja de livros que havia nas redondezas. Tinha herdado da sua família uma considerável biblioteca e fazia então disso sua vida.
Como as pessoas não sabiam ler, iam muitas vezes até ele para que este lhes lesse cartas, ou ensinasse a escrever.
Isso não foi de agrado de figuras importantes, como o Juiz, o Bispo, entre outras, que encomendaram a uma poderosa feiticeira que o transformasse em animal.
E assim foi, certo dia ele acorda como um pássaro azul.

A menina ficou muito comovida e deu-lhe um leve beijo no bico e uma lágrima rolou do seu rosto caindo sob as penas do seu coração.
Encontrados, adormeceram.

No dia seguinte, quando a jovem acorda, vê a seu lado o bibliotecário e ambos se abraçam ainda mais apaixonados.
O amor é um poderoso elixir contra todo o tipo de feitiços e maldades e assim viveram felizes para sempre!
Fim”

A luz da lareira agora em brasa, iluminava o rosto da menina já adormecida. Possivelmente já nem tinha ouvido o final da história e continuaria ela mesma o conto nos braços do seu sonho.

Quadro "As Casinhas" Maio 2005

sexta-feira, agosto 05, 2005

No meio está a virtude!

A sabedoria popular, conhecida por muitos e usada por quase todos no dia-a-dia, pode ser considerada senso comum, cliché ou populismo, mas a verdade é que o seu valor intrínseco ninguém lhe pode tirar.
Lembro-me perfeitamente de a minha avó, dizer, filha não pode ser assim nem assim, onde mostrava a sua mão ora fechada, ora aberta, e concluía, tem de ser assim, mostrando a mão semiaberta.

Esta coisa das frases terem significado, é muito subjectiva. Nem sempre estamos preparados para compreender o seu significado na totalidade.
Para exemplificar vou dar-vos um exemplo que hoje me faz rir imenso, mas que na altura me deixou com um enorme ponto de interrogação.
Tinha eu os meus 16 anos, quando um amigo me disse zangado: “ Isto é preso por ter cão e preso por não ter!”, eu não compreendi peva, e riam-se, até me perguntei se ele me estaria a chamar de cão.
Só um dia mais tarde, quando eu própria senti que ás vezes é preso por ter cão, como por não ter, que se fez luz na minha cabeça!
Sim riam-se á vontade, porque eu também me ri imenso.

Bom, mas voltando ao tema principal que me levou a escrever este texto, depois de muito analisar a minha própria história, a história da vida em alguns aspectos, fez-me compreender, tal como Kant já havia afirmado (grande pensador), que a virtude nos pode levar ao soberano bem.
No entanto, uma vez que o nosso caminho não é linear, somos crianças, amadurecemos e morremos a vida em si diz-nos que temos de passar pelos extremos para finalmente atingirmos o equilíbrio.
Se vocês forem analisar bem, esta regra aplica-se a muitas áreas da existência. Por exemplo na história, depois de um período de grande repressão sexual, nos anos 60 verificou-se uma grande abertura sexual no seu expoente máximo, pouco depois essa atitude refreou.
Quando passamos da meninice para a puberdade, sentimos uma grande vontade de ir contra os nossos pais e os valores adquiridos, queremos e precisamos testar as nossas próprias opções, porque temos de afirmar a nossa individualidade como pessoa única, no entanto mais tarde compreendemos as palavras dos nosso pais e as suas atitudes, até que por fim nos tornamos todos mais idênticos.

Talvez estes exemplos sejam muito abrangentes, mas esta regra aplica-se a quase tudo na vida. Atinjam o vosso ponto de equilíbrio e vão com certeza sentir-se melhor!

Uma arvore cheia de frutos fica caída, humilde. Uma arvore vazia, é uma arvore altiva, arrogante!

quinta-feira, agosto 04, 2005

Exagerada

Hoje durante uma conversa com duas pessoas diferentes e sobre dois assuntos diferentes fui chamada de exagerada.
Parece-me que hoje em dia as pessoas que fazem as coisas correctas continuam a ser apelidadas desta maneira.
A propósito de um texto sobre psicologia social, falava-se que num grupo de trabalho, o honesto é sempre mal visto por todos os outros membros da equipe.
Bom, isto para mim não é novidade, mas ainda assim não me faz ficar mais tranquila, uma vez que só me posso sentir bem com a minha própria consciência se for autentica para comigo mesma e com os outros. Podem dizer o que quiserem, mas eu tento ser sempre o tipo de empregada que gostaria de ter!
Apesar de eu ser assim, não significa que seja bufa, ou que seja assim para ser mais, ou melhor que os outros, sou assim porque quero ser igual a mim mesma e não qualquer outra coisa que possa agradar aos outros e não a mim.

Sempre ouvi dizer que o melhor que pode acontecer a um homem, é depois da maturidade conseguir voltar a ser criança.
Não é nada fácil isso, porque durante o nosso caminho muita coisa nos magoa e transforma, mas penso ser uma característica minha ser positiva e como tal gosto dos finais felizes, de pintar flores, de ser simpática no meu trabalho, imaginar tesouros no fim de um arco-íris e de olhar o infinito no horizonte.
No fundo sou uma criança por dentro e as crianças são por natureza exageradas!